"É um porto de abrigo para a arte fotográfica do surf" - Hélio António sobre 'Salitre'
“Salitre” é a mais recente (e actualmente a única) publicação de surf lançada em Portugal. O que significa este projeto para ti? Significa paixão e resiliência. Significa a recusa em aceitar que imagens de qualidade não tenham o tratamento de excelência que é a impressão em papel. Não há neste momento nenhuma publicação periódica de surf no nosso país e há poucas a nível mundial. A era digital e as redes sociais tornaram as imagens de surf demasiado efémeras e descartáveis. O Salitre é um porto de abrigo para a arte fotográfica do surf em Portugal.
Como é que surgiu a ideia deste projeto? Surgiu por intermédio do André Carvalho, um dos fotógrafos do livro e também o designer. Durante a pandemia o André foi acumulando imagens de sessões de surf que mereciam melhor fim do que um disco rígido de computador ou uns pixels no telemóvel. Insatisfeito por natureza decidiu que seria interessante criar um livro que mostrasse o que foi o surf durante a pandemia e convidou 4 outros fotógrafos que estão espalhados pelo país. O João Bracourt no Algarve, o André Carvalho na Costa Alentejana e Lisboa, o Pedro Mestre na Ericeira, eu na Nazaré e o Tó Mané no Norte do país garantimos que o livro tem uma distribuição geográfica vasta e que os principais picos do país estão representados.
A maior parte das tuas fotografias retratam uma força da natureza que conheces bem: as ondas da Praia do Norte. É o teu sítio de eleição para fotografar? Sim, sem dúvida. Tive a sorte de crescer na terra com as maiores ondas do planeta e para onde milhares de pessoas de todo o mundo viajam com o intuito de observar o fenómeno do Canhão da Nazaré. Aquilo que a maioria desconhece é que a Nazaré é um dos melhores locais do mundo para surfar ondas de todos os tamanhos. As ondas da Nazaré são incríveis com tamanho pequeno, médio, grande e gigante. Temos picos múltiplos e ângulos muito interessantes e infindáveis. Temos todas as variáveis para tornar o trabalho de um fotógrafo de surf nada monótono e é isso que me agrada.
O livro é composto pelo trabalho de cinco fotógrafos portugueses. Sendo que esta é uma profissão que se torna um pouco solitária, está aqui a prova de que os fotógrafos podem, e devem, unir-se? Sem sombra de dúvida. Ao sermos cinco fotógrafos, espalhados de norte a sul conseguimos garantir diversidade e representatividade nas imagens. Adicionalmente, temos uma conjugação de estilos bem diferenciados que tornam o livro um projecto mais rico e multifacetado. Muito honestamente sinto que conseguimos uma obra de qualidade da qual me orgulho bastante e isso é corroborado pelo feedback das pessoas que adquiriram o livro. A receptividade tem sido óptima, temos já muito poucas unidades para venda e isso dá-nos motivação para continuar este projecto.
Porquê o nome “Salitre”? O nome foi ideia do João Bracourt. Não sei o que ele estava a pensar quando se lembrou desse título mas eu achei perfeito. O Salitre é condição no surf. Está sempre presente quer seja na pele, no cabelo, nas pestanas, no fato, na prancha, na mochila, no equipamento fotográfico. O Salitre acompanha-nos e entranha-se.
Criar um projeto impresso deu-te mais gozo? Muito se fala sobre as edições impressas um dia poderem acabar. Ver as minhas fotos impressas é infinitamente mais gratificante do que mostrá-las nas redes sociais. Diria que é o ponto máximo de uma imagem. Um livro tem uma longevidade significativa, é um objecto que perdura. As imagens foram escolhidas entre centenas e quando desfolho o livro e vejo uma dupla página com um detalhe incrível isso desperta-me emoção. Enquanto existirem pessoas a sentir o mesmo e que apoiem o trabalho dos fotógrafos o surf impresso nunca irá acabar.
Depois deste projeto, o que é que esperas concretizar a nível profissional? Primeiro que tudo quero continuar a contribuir para o Salitre pois tencionamos lançar um livro por ano e isso é uma motivação extra para continuar a progredir e pensar de forma diferente. Vou também continuar a guardar imagens, fotos que nunca publiquei e que servirão para um dia mais tarde lançar o meu próprio livro ou fazer uma exposição (ou ambos). É um projecto a longo prazo, sem pressas, porque quero que seja realmente especial. Outro dos meus objectivos passa por criar um portfólio mais diversificado, fotografando em lugares onde nunca estive. Quero viajar mais, explorar outras ondas, outros cenários, outra luz. Por último, quero progressivamente ir fazendo mais vídeo. É uma dimensão da qual gosto bastante e que quero explorar pois há imagens que visualizo e que apenas fazem sentido nesse formato. No fundo quero continuar a criar pois é isso que me dá satisfação.
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